segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Os quatorze anos da lei 10.639/2003




Quilombo do Bananal - Rio de Contas

Os quatorze anos da lei 10.639/2003
Esta lei federal 10.639 publicada em nove de janeiro de 2003, que trata da (inclusão nos currículos de 1° e 2° graus das brasileiras dos estudos da cultura estudos Africano e Afro Brasileiro) é a primeira lei decretada pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva, atendendo as solicitações do movimento negro brasileiro em suas várias ramificações. Foram feitas gestões técnicas para implementação da lei: pareceres, diretrizes, comissões de estudos, fóruns, consultorias, encontros e o plano nacional para implementação ficou pronto. Em 2016 um governo golpista retirou a obrigatoriedade estudos Africano e Afro Brasileiro nos currículos de 1° e2° graus, sem consulta a nenhum ente federativo.

Vamos em 2017 estar atento nosso estado da Bahia, para avançar no conhecimento sobre ancestralidade Africana. 

domingo, 22 de janeiro de 2017

A IMPORTÂNCIA DO PAN AFRICANISMO NA PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO

Por falar em Pan Africanismo, no décimo quarto ano da lei 10.639/2003  este artigo do professor Henrique Cunha Junior,  nos leva a refletir sobre a produção do conhecimento. Para começarmo 2017 refletindo. Boa  leitura.




A IMPORTÂNCIA DO PAN AFRICANISMO NA PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO
Henrique Cunha Junior.
(Estou preparando o texto da minha fala no Congresso de Pesquisadores Negros).
1- Africanidade e eurocentrismo
A edição da História Geral da África, pela UNESCO, na década de 1980, é um monumento que revolucionou tudo que se possa pensar em matéria de conhecimento cientifico e das práticas do desenvolvimento da ciências no mundo africano e na ciência do ocidente. Trata-se de um exercício de autonomia do pensamento com relação às teorias dominantes no ocidente cristão , reuni um grupo expressivo de intelectuais (350), elabora métodos próprios e produz a síntese de 6000 anos da história de um continente, que diziam: não ter história, não ter ciência , não ter escrita , não ter como expressar a si próprio em seus próprios termos. Paradoxalmente o trabalho dos pan africanistas revela para a ciência do ocidente a importância do conhecimento, importância negada pela forma ocidental de racionalidade cartesiana e validade dos conhecimentos científicos. Contrapôs dois paradigmas, o do conhecimento, indutivo, experimental, independente da fonte, sensitivo.O conhecimento como os atributos que permitam resolver problemas, contra o conhecimento regrado como cientifico propositor de teóricas e dedutivo, mas que nem sempre permite a solução de problemas.
Também a edição da Historia Geral da África resolve um grande problema que é o do lugar das civilizações do Nilo, na história africana e na história da humanidade. Estabeleceu a unidade do continente em coerência com a sua diversidade, no conceito da africanidade, um ritmo sonoro produzido nas civilizações dos Nilo, reverberantes pelo continente como um todo, através das temporalidades e espacialidades diversas e reproduzindo e transformando a si próprio em novos ritmos, dissonâncias, recriações sem perder a base de origem. A inteligência humana apreende com si própria, possui a ancestralidade como acervo, espiritual, com interferência no real. A ciência do conhecimento africano, amplo, não é incompatível com a crença em m ser supremo e nem nos espírito da natureza diversa, o inexplicável também é fonte de conhecimento e não um fantasma que assombra o conhecimento.
A História Geral da África resolveu muitos problemas a renovação da ciência no ocidente e tornou-se incomoda para o próprio ocidente e portanto permanece os silêncios de reconhecimento do seu papel revolucionário e inovador dentro do pensamento do ocidente. A estratégia da dominação ocidental permanece a mesma, da sacralização da Grécia, da negação do Egito como acervo cientifico da humanidade, o predomínio do conhecimento teórico sobre o não teórico, a ciência movida pelas teorias e não pelo conhecimento útil. O silencio a a desmoralização sobre os grande pensadores africanos e afrodescendentes e a persistência dos eurocêntricos com novos rótulos, pos-colonialismo,descolonização do conhecimento, e outros artefatos e fatos, diálogos sul-sul, sem questionamentos sobre os limites do ocidente, e das limitações das ciências ocidentais reelaboradas e dominantes e predominantes apenas nos últimos 500 anos, sempre precedidas dos canhões e da bíblia.
Persiste o embate primeiro da africanidade e do eurocentrismo. A construção africana da humanidade e do conhecimento, em oposições e sistematizações de disputa de domínio, a construção europeia da humanidade e do conhecimento cientifico.
O pan africanismo, cuja história data oficialmente de 1900, sendo eu neto de pan africanistas, formulou uma estratégia para reduzir os males da colonialismo e da escravismo criminoso sobre as populações africanas e da diáspora, que foi a retomada do bases africanas da filosofia e da estética, e a produção de uma autonomia de pensamento. Estratégia política que resulta dentre os vários sucesso nas independências africanas e caribenhas, nas formas de elaboração do pensamento sobre o conhecimento e no monumento da Historia Geral da África.
Estamos dentro de um congresso de afrodescendentes onde tem um peso importante o reconhecimento ou não do edifício da História Geral de África, e das estratégias do Pan Africanismo, do embate entre africanidade e eurocentrismo. Se assim não fosse não teríamos como tema as “novas fronteiras da intolerância racial: velhas práticas de discriminação e novos espaços – universo web” . Estamos aqui no impasse dos leitores de Marx e de Gilberto Freire, entremeados com Stuart Hall, Boaventura Santos e Saramango, Hommi Baba e os raros praticantes de Cheikh Anta Diop, Theophile Obenga, Jonnatas Kenniata, Guerreiro Ramos, Juliano Moreira, Walter Rodney, Edouard Glisant, Mbog Bassong, Kwame Nkrumah, Basta olharmos para a bibliográfica dos artigos apresentados neste congresso de pesquisadores negros e teremos um preocupante debate de fontes e de posicionamentos históricos. Estabelece-se como sempre presente na pratica da negação do Pan Africanismo, pode até não ser nas intenções, mas se traduz nos resultados. Fica nítida impressão que projetos científicos como de Rex Nettleford (NETTLEFORD, 1969;1970; 1972), intelectual jamaicano falecido em 2010,não se reproduzirão no pensamento da comunidade negra brasileira.
Se tivéssemos no horizonte brasileiro prestados atenção a Juliano Moreira e Guerreiro Ramos, com certeza o teor do problemas seria outro, nada tão substancial e sem solução como a denuncia da intolerância racial, e sem se constituir no novo espaço, a WEB apenas é suporte dos mesmo aportes do sistema de dominação primordialmente sintetizado por Walter Rodney, no como a “Europa subdesenvolveu a África” e faltou o que o Guerreiro Ramos bem tratou a patologia do branco que submeteu os pensadores negros a se explicarem perante o inexplicável. Mas não é o impasse se estende aos paradigmas então da africanidade (silenciada, escamoteada, desconhecida) e do eurocentrismo (aprofundado e revisitado como novidade do velho).
Cabem nesta palestra duas metáforas. Pato que vive no galinheiro nunca descobre que sabe nadar. Ou então galinha que anda atrás de pato morre afogada.
2-esta escruta 3-vai ser escrita. 4- Diante do mosaico as conclusões.
Diante do mosaico é necessário ver o todo e não se importar com a irregularidades das peças, com os espaços mal desenhados e com a lógica da criação. O mosaico e a imagem que ele traduz é o que importante.
Sempre os defensores da ciência ocidental reservaram o titulo de a-histórico para Cheike anta Diop, o que significa não leiam pois não tem importância. Assim segue a ciência da humanidade ocidental.
Dois grandes trabalhos intelectuais seguiram sempre o destino de se manterão desconhecidos, como se não tivessem sido realizados. “Black Atena”, de Martin Bernal e “The Stolen Legancy” de George James, pois eles revelam que não existe consistência na Grécia criada pela ciência ocidental do renascimento e cultuada agnósticos do presente. Por que os mitos se mantém?.
A importância cientifica do pan africanismo é ter revelado o mundo do conhecimento cientifico como o mundo da dominação ocidental. A ideologia da ciência como forma de acesso ao conhecimento. Sendo que nos acadêmicos vivemos deste mundo, portanto torna-se incomodo revelar a nossa própria inconsistência. Os pan africanistas versaram sobre 6000 anos da historia sem um período obscuro, como é caso da historia do ocidente quanto a idade média.
Entretanto o retrato do mesmo permanece com novos retoques, como se fosse um retrato novo. As ideias dos pesquisadores do mesmo se refletem em frases como:”Não vamos reinventar a roda”. “De onde você tirou isto”. “Precisamos encontrar uma referencia que fale sobre isto”. O rei ventar a roda é o que produz os avanços nas áreas de engenharia. A roda é sempre reinventada. As rodas do trem de pouso de uma aeronave para 300 pessoas são completamente distintas das rodas de automóvel, ou de uma carroça, mesmo de um trem ferroviário. São distintas reinvenção a roda para dada um dos problemas. Torna-se interditado ter novas ideias que não estejam nas bibliografias disponíveis. A pergunta dos orientadores deveria de ser qual raciocínio ou quais ideias contribuíram para a novidade apresentada. No entanto, a pratica conservadora se perpetua referenciada aos mesmos, ou aos seus discípulos, europeus e euroamericanos.
NETTLEFORD, Rex. Roots and Rhythms: the Story of the Jamaican National Dance Theatre , London: Deutsch..1969.
NETTLEFORD, Rex. Mirror, Mirror: Identity, Race and Protest in Jamaica. Kingston: Sangster and Collins.1970.
NETTLEFORD, Rex. African Connexion: Parallels; Historical Continuity; Panafricanism; African in the World, University of the West Indies .1972.